Como saber o quanto um bebê enxerga?

6 de agosto de 2018
bebe enxerga

A maior parte parte do desenvolvimento visual da criança ocorre nos primeiros 2 anos de vida, quando aprende a fixar, desenvolve a visão em profundidade (3D) e aprende a trabalhar os olhos de forma conjugada.

É muito comum os pais se perguntarem: como saber o quanto meu bebê enxerga? Como saber se precisa de óculos?

A primeira avaliação oftalmológica do bebê ocorre ainda na maternidade, quando o pediatra faz o teste do olhinho ou teste do reflexo vermelho. Vale lembrar que este é um exame importante, mas não substitui a consulta oftalmológica pela qual toda criança deve passar já no primeiro ano de vida.

Idealmente essa consulta deve ocorrer nos primeiros 6 meses, para que se possa avaliar mais profundamente o desenvolvimento visual e detectar precocemente qualquer alteração que possa afetá-lo.

O exame oftalmológico é diferente em crianças e adultos, não somente por uma questão de colaboração e entendimento, mas também pela anatomia e maturidade do sistema visual.

Etapas importantes do exame de um bebê

  1. Avaliação da acuidade visual: em bebês e crianças pré-verbais, avaliamos a acuidade através da fixação de objetos. Em alguns casos em que é importante quantificar com precisão a visão, utilizamos o teste de acuidade de Teller ou um exame chamado potencial visual evocado (PVE). Estes exames são de grande auxílio, por exemplo, no acompanhamento de ambliopia (“visão preguiçosa”) ou no acompanhamento de crianças com catarata, problemas neurológicos ou estrabismo. Geralmente, a partir dos 3 anos de idade a criança já colabora informando figuras, números ou letras.
  2. Teste de motilidade ocular: é o exame para detectar estrabismo (desvios oculares). 
  3. Refração: é o exame que detecta se a criança apresenta algum erro refrativo que requer correção com óculos. Em crianças e bebês, sempre fazemos o exame com dilatação das pupilas com colírio, para avaliar precisamente qualquer grau existente (miopia, astigmatismo ou hipermetropia). Utilizamos uma régua de esquiascopia ou lentes isoladas com poderes diferentes. A partir do reflexo da retina observado por essas lentes, podemos determinar com precisão o grau, mesmo que a criança ainda não informe.

Colírios usados na consulta

Os colírios têm a função de dilatar a pupila. Utilizamos 3 colírios: um anestésico e os outros 2 com função de relaxar o músculo intraocular responsável pela acomodação, que é muito forte nas crianças. Assim, conseguimos avaliar com precisão o fundo do olho e a presença de erro refracional (miopia, astigmatismo ou hipermetropia) que necessite prescrição de óculos.

  • Quanto tempo dura a dilatação?

A visão fica embaçada para perto e a pupila fica dilatada por um período de 6 a 8 horas, mas, em alguns casos, pode durar mais, dependendo das características de cada paciente, como cor dos olhos e sensibilidade aos colírios.

  • Quais os efeitos colaterais?

Turvação visual para perto e sensibilidade à luz (fotofobia). Alergias e outros efeitos são raros.

  1. Inspeção externa e biomicroscopia: a lâmpada de fenda é como um microscópio que permite ao oftalmologista observar detalhes da superfície ocular. Com este exame, podemos detectar a presença de sinais de alergia, catarata, inflamações oculares, lesões da superfície ocular, etc.
  2. Fundo de olho:  deve ser realizado sob dilatação das pupilas, permitindo uma visualização ampla da retina.
  3. Tonometria: é a medida da pressão intraocular. Atualmente dispomos de um aparelho chamado iCare, capaz de aferir a pressão intraocular sem uso de colírios anestésicos, sem sopro, o que é muito mais confortável no caso das crianças. 
  4. Visão de cores: deve ser testada sempre que houver história familiar de daltonismo ou quando a criança confunde as cores.

Qualquer alteração visual que não for detectada e corrigida ainda na infância (e quanto mais cedo, melhor), pode levar a prejuízos permanentes da visão. O desenvolvimento cortical (cerebral) da visão ocorre até os 7-8 anos de idade e qualquer alteração deve ser tratada antes disso! Por isso a importância do exame oftalmológico de rotina e, de preferência, com um profissional voltado ao atendimento infantil.

Dra Dayane Issaho é oftalmologista pela Universidade Federal do Paraná. Fez especialização em Oftalmopediatria e Estrabismo na Universidade Federal de São Paulo e na University of Texas Southwestern em Dallas, EUA. Possui Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo. É preceptora do setor de estrabismo da Residência médica do Hospital de Olhos do Paraná. Possui ampla experiência no atendimento oftalmológico infantil e no tratamento clínico e cirúrgico do estrabismo.

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