Como tratar a obstrução de via lacrimal?

22 de Fevereiro de 2018
obstruçao via lacrimal

Uma situação muito comum no consultório de uma oftalmopediatra são pais que chegam preocupados pois dos olhinhos do bebê fica saindo secreção constantemente. Na maioria das vezes, isso se dá devido ao que chamamos de obstrução de via lacrimal.

Em uma situação normal, a lágrima é produzida pelas glândulas lacrimais e drenada através de dois pequenos canais, que saem do canto do olho e vão até a cavidade nasal. Quando há alguma falha na abertura de uma pequena membrana (válvula de Hasner) no ducto nasolacrimal, a lágrima não consegue ser drenada, causando lacrimejamento, acúmulo de muco e, até mesmo, infecções de repetição.

Como se trata o excesso de lacrimejamento?

Vai depender da idade do bebê, da frequência do lacrimejamento ou complicações associadas. O oftalmologista pode recomendar:

  • Colírio antibiótico para tratar a infecção
  • Higienizar as pálpebras com soro fisiológico
  • Aplicar pressão (massagem) sobre o saco lacrimal

O objetivo da massagem é colocar pressão no saco lacrimal para romper a membrana no final da via lacrimal, ao nível do nariz. É mais fácil se você posicionar suas mãos em cada lado da face, com seu(s) dedo(s) indicador(es) na parte interna do olho, próximo(s) ao nariz, pressionando para dentro e para baixo por alguns segundos. Isso deve ser repetido diversas vezes ao dia.

O ducto lacrimal obstruído se abre espontaneamente entre 6 e 12 meses de idade em mais de 90% das crianças. Nos casos em que o lacrimejamento persiste, um procedimento pode ser necessário para abrir a obstrução (sondagem).

obstrucao_vias_lacrimais

Como é realizada a sondagem?

A criança é sedada e uma sonda muito fina é colocada gentilmente no ducto lacrimal para abrir a obstrução. Realiza-se, então, uma irrigação para garantir que a via lacrimal esteja aberta. O procedimento não causa dor e apresenta poucos riscos.

Quais os riscos envolvidos na sondagem?

Como em qualquer procedimento cirúrgico, complicações podem ocorrer, incluindo:

  • infecção
  • sangramento
  • recorrência da obstrução

 

Em caso de recorrência da obstrução, obstruções mais severas ou crianças maiores (especialmente as maiores de 12 meses), pode-se optar pela sondagem seguida de intubação. Existem tipos diferentes de intubação de vias lacrimais, sendo que na menos traumática, um delicado tubo de silicone é deixado na via lacrimal após a sondagem para evitar uma eventual cicatrização que leve a nova obstrução. O tubo de silicone não é sentido e não incomoda a criança. Ele é retirado no próprio consultório, em geral 3 meses após o procedimento. A retirada é rápida, indolor e não requer anestesia.

Dra Dayane Issaho é oftalmologista pela Universidade Federal do Paraná. Fez especialização em Oftalmopediatria e Estrabismo na Universidade Federal de São Paulo e na University of Texas Southwestern em Dallas, EUA. Possui Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo. É preceptora do setor de estrabismo da Residência médica do Hospital de Olhos do Paraná. Possui ampla experiência no atendimento oftalmológico infantil e no tratamento clínico e cirúrgico do estrabismo.

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