Qual o melhor momento para fazer a cirurgia de estrabismo?

6 de outubro de 2016
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Estrabismo é o desalinhamento dos olhos e acomete de 2 a 4% da população. Pode se manifestar desde o nascimento, em crianças maiores ou mais tarde, na idade adulta.

Os olhos podem encontrar-se desviados para dentro (estrabismo convergente ou esotropia), para fora (estrabismo divergente ou exotropia) ou apresentar algum desvio vertical (hipotropia ou hipertropia).

Grande parte das vezes, o estrabismo se desenvolve na infância e, nesses casos, pode estar relacionado a algum tipo de grau (como a hipermetropia), sendo tratado com o uso de óculos. Outras vezes, a criança não apresenta nenhum tipo de erro refracional e a cirurgia de estrabismo é a melhor opção de tratamento.

Algumas vezes, o estrabismo pode se desenvolver já na fase adulta e estar associado a doenças como diabetes, desordens da tireoide, afecções neurológicas ou trauma. Em adultos, o tratamento do desvio é muitas vezes cirúrgico.

Diante de tantas causas e opções de tratamento, frequentemente se pergunta: qual o melhor momento para se operar o estrabismo?

A resposta depende da idade do paciente e do tipo de estrabismo que ele apresenta. Mas, quase sempre, quanto antes a correção for realizada, melhor!

Em estrabismos congênitos, a partir dos 6 meses de idade já é possível operar. Nesses casos, não se trata somente de estética, de deixar os olhos do bebê alinhados para que ele fique mais bonitinho. A fase de maturação cerebral da visão acontece até os 8 anos de vida e o desenvolvimento da visão em profundidade (visão 3D) ocorre antes dos 2 anos. A criança que apresenta qualquer tipo de alteração ocular nesse período do desenvolvimento visual pode sofrer consequências, como ambliopia (visão preguiçosa) ou déficit de visão em profundidade para o resto da vida.

Alguns desvios, no entanto, não se manifestam a todo momento, é o chamado estrabismo intermitente. Nesses casos, se o paciente apresentar um bom controle do desvio e não houver comprometimento da visão, é possível esperar. No entanto, se o desvio for frequente, estiver comprometendo a visão, ou a criança tiver mais de 4 anos, é possível a cirurgia de estrabismo.

Já no casos dos adultos, se houver desvio grande, visão dupla ou comprometimento estético, a cirurgia pode ser realizada. Nos casos de estrabismo pós trauma ou estrabismo paralítico, recomenda-se aguardar pelo menos 6 meses após o início do quadro já que, nesses casos, pode haver alguma recuperação espontânea do desvio.

Como já mencionado, o estrabismo em crianças pode afetar o desenvolvimento visual, mas a correção do estrabismo vai além disso. Vai além da estética também. Há todo um aspecto psicológico envolvido no tratamento, tanto de adultos, como dos pequenos. A correção do desvio ocular melhora a autoestima, o convívio social, o desempenho na escola, etc. Pessoas com estrabismo podem apresentar dificuldades de conseguir emprego ou encontrar parceiros.

Um estudo na Suíça mostrou que, na busca de emprego, mais de 70% dos recrutadores disseram que quem tem estrabismo tem menos chance de conseguir uma vaga, mesmo com o currículo parecido com o das pessoas que não possuem estrabismo.

A cirurgia de estrabismo corrige o desalinhamento ocular. Ela envolve o enfraquecimento ou fortalecimento de um ou mais músculos extraoculares em um ou nos dois olhos. Os músculos estão situados na parte de fora do globo ocular, assim, não envolve procedimento dentro do olho.

As incisões cirúrgicas são feitas na conjuntiva, isto é, na parte exposta do olho ou, no caso de cirurgia minimamente invasiva (via fórnice), por dentro da pálpebra. Não há incisão ou cicatrizes na pele e a recuperação em geral é rápida, podendo o paciente voltar às atividades (escola, trabalho) em 3 a 7 dias após a cirurgia.

Atualmente, existe uma nova técnica de cirurgia, chamada de cirurgia de estrabismo minimamente invasiva. Ela é indicada para crianças e adultos jovens (até 40 anos) e envolve uma técnica com incisão mínima, recuperação mais rápida e menos cicatrizes. O conforto pós-operatório também é maior com esta técnica, já que os pontos não ficam expostos e sim cobertos pela pálpebra.

Dra Dayane Issaho é oftalmologista pela Universidade Federal do Paraná. Fez especialização em Oftalmopediatria e Estrabismo na Universidade Federal de São Paulo e na University of Texas Southwestern em Dallas, EUA. Atualmente é pós-graduanda de doutorado em Oftalmologia na Universidade Federal de São Paulo. É preceptora do setor de estrabismo da Residência medica do Hospital de Olhos do Paraná. Possui ampla experiência no atendimento oftalmológico infantil e no tratamento clínico e cirúrgico do estrabismo.

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