Hipermetropia pode causar estrabismo?

4 de janeiro de 2018
estrabismo

Estrabismo é o desalinhamento dos olhos, que pode ocorrer tanto para dentro, para fora ou na direção vertical. Até o sexto mês de vida, quando a visão central da criança ainda não está madura, é comum percebermos algum tipo de desvio nos olhos do bebê. Após esta idade, qualquer desvio ocular deve ser acompanhado e tratado para garantir um desenvolvimento visual adequado.

Quando os olhos desviam para dentro (estrabismo convergente ou esotropia), existem basicamente duas principais causas: disfunção da musculatura extraocular ou graus elevados de hipermetropia.

Nos casos em que não há hipermetropia considerável ou que o desvio não é corrigido com o uso de óculos, o tratamento de escolha é a cirurgia de estrabismo. Esta deve ser realizada precocemente para evitar a visão preguiçosa (ambliopia) e garantir um bom desenvolvimento da visão em profundidade (visão 3D).

Algumas vezes, a hipermetropia pode ser a causadora do desvio. Hipermetropia é um erro refrativo que causa dificuldade visual principalmente para perto e meia distância. É o tipo de grau mais comum em crianças e, na maioria das vezes, não compromete a visão e não requer tratamento. Outras vezes, graus moderados ou mais elevados de hipermetropia podem causar o que chamamos de estrabismo acomodativo. Esse tipo de desvio surge geralmente entre 1 e 2 anos de idade, mas pode aparecer mais tarde.

A musculatura ocular dos pequenos é muito mais forte do que a dos adultos. Casos de hipermetropia mais elevada podem exigir um esforço muito grande na tentativa de ver as imagens com nitidez e acarretar um desvio convergente dos olhos.

É muito importante que em todos os casos de estrabismo seja realizado um exame oftalmológico completo com dilatação das pupilas. A dilatação ocular permite a verificação precisa do grau.

Nesses casos de estrabismo associado a hipermetropia, óculos são o tratamento de escolha. Com o uso dos óculos, observamos que os olhos deixam de desviar. Quando a criança retira os óculos, volta a forçar a visão e os olhos automaticamente desviam para dentro. Se ainda r um pouco de desvio mesmo com o uso das lentes, esse desvio residual dever ser tratado cirurgicamente.

A boa notícia é que a tendência do grau de hipermetropia é de reduzir com o crescimento e, muitas vezes o estrabismo acaba melhorando também. Caso o paciente chegue na idade adulta e ainda apresente estrabismo acomodativo, existe a opção cirúrgica para corrigir o grau (cirurgia refrativa e não cirurgia de estrabismo) e consequentemente espera-se a correção do desvio ocular.

Tampão é utilizado somente se notamos diferença na acuidade visual entre os 2 olhos, o que chamamos de ambliopia ou visão preguiçosa.

Este é um dos motivos que recomendamos uma consulta com um oftalmopediatra ainda no primeiro ano de vida para todas as crianças, mesmo que não haja sintomas. Ainda que não informem, conseguimos, a partir de um exame com dilatação das pupilas, avaliar se há alguma alteração, como grau de hipermetropia que pode futuramente causar estrabismo.

Dra Dayane Issaho é oftalmologista pela Universidade Federal do Paraná. Fez especialização em Oftalmopediatria e Estrabismo na Universidade Federal de São Paulo e na University of Texas Southwestern em Dallas, EUA. Possui Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo. É preceptora do setor de estrabismo da Residência médica do Hospital de Olhos do Paraná. Possui ampla experiência no atendimento oftalmológico infantil e no tratamento clínico e cirúrgico do estrabismo.

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