Estrabismo convergente: como tratar?

28 de maio de 2018
estrabismo convergente

Chamamos de estrabismo convergente ou esotropia quando os olhos desviam para dentro. O desvio convergente pode ser congênito (desde o nascimento) ou adquirido, quando se manifesta mais tarde. Nos primeiros seis meses de vida, a criança está aprendendo a focar, portanto é normal se nesse período os olhos do bebê desviarem em alguns momentos para dentro ou para fora. Após os 6 meses, se o desvio continuar a ocorrer, um Oftalmopediatra deve ser consultado.

Quais são as principais causas de esotropia?

  • Esotropia congênita: quando se manifesta já no nascimento ou nos primeiros 6 meses de vida. Em geral, são desvios grandes que podem causar sérias repercussões na visão. Este tipo de desvio não melhora com o uso de óculos ou tampão e a correção deve ser cirurgia de estrabismo. A cirurgia deve ser realizada precocemente (antes dos 18-24 meses de idade) para garantir um desenvolvimento visual adequado, além de permitir o desenvolvimento da visão em profundidade (3D).
  • Esotropia acomodativa: quando o estrabismo é causado por graus elevados de hipermetropia. Nessa situação, o esforço causado pela hipermetropia faz com que os olhos desviem para dentro e, em geral, o desvio começa a se manifestar por volta dos 2 anos de idade. A correção se dá com o uso de óculos e não com cirurgia. Quando a criança coloca as lentes, os olhinhos ficam alinhados, já que não é mais necessário o esforço visual.
  • Esotropia paralítica: mais comum em adultos após traumatismo craniano, acidente vascular cerebral ou sequela de diabetes ou hipertensão mal controladas. Ocorre devido à paralisia do 6o nervo craniano (abducente). Nestes casos, aguardamos cerca de 6 meses para o tratamento, já que neste período pode haver recuperação espontânea. Caso não ocorra, o tratamento se dá por uso de toxina botulínica, óculos com prisma ou cirurgia de estrabismo.

O tipo de tratamento do estrabismo vai depender da causa do desvio. Nem todos os desvios são corrigidos com cirurgia. A cirurgia é realizada para restabelecer o equilíbrio de força entre os músculos extraoculares e recuperar o alinhamento ocular. Atualmente, alguns centros no Brasil, incluindo Curitiba, disponibilizam uma técnica minimamente invasiva de cirurgia de estrabismo (técnica fórnice), que torna a cirurgia de estrabismo mais rápida e melhora o conforto no pós-operatório.

O tampão ocular, ao contrário do que muitos pensam, não serve para tratar estrabismo e sim para evitar/tratar a potencial ambliopia (visão preguiçosa) que frequentemente está associada ao desvio. Neste caso é ocluído o olho bom para estimularmos a visão do olho preguiçoso, mas o tampão NÃO é capaz de alinhar os olhos!

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Dra Dayane Issaho é oftalmologista pela Universidade Federal do Paraná. Fez especialização em Oftalmopediatria e Estrabismo na Universidade Federal de São Paulo e na University of Texas Southwestern em Dallas, EUA. Possui Doutorado em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo. É preceptora do setor de estrabismo da Residência médica do Hospital de Olhos do Paraná. Possui ampla experiência no atendimento oftalmológico infantil e no tratamento clínico e cirúrgico do estrabismo.

Hospital de Olhos do Paraná
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